aqui pelo campo

A arte de aprender a nossa Sombra. Ensaio sobre o post de Justine Musk

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Ontem tive uma noite ótima. Enquanto agora de manhã já ouço a gargalhadas costumeiras da rapaziada em ferias..ontem, depois de um dia em contacto com a natureza, banhos de rio e mergulhos rio a dentro do morro mais alto enquanto ainda não chegam ao cimo dos esteios, o sono venceu-os e eu pude fechar a porta do atelier e passar uma noite a ler e explorar aquilo que uma internet, ontem bastante lenta, me permitiu. Sou leitora regular do blog de Justine Musk e, a tomar notas geralmente.

Vou direta aos posts que mais me tocam e encontro, livros, videos, links e pessoas que adoro integrar na minha vida do dia a dia com a sua sabedoria.

Estive a ler um post sobre as sombras que todos escondemos. Aquela parte nossa que não gostamos de admitir, ou enfrentar nem a nos próprios. Já me tinha dado conta na minha vida pessoal que atraio, no que toca aos homens por exemplo, um determinado padrão de comportamento, e embora diferentes, todos eles se tocam numa característica especial, e isso, com o poder de analise que felizmente adquiri, saltou-me recentemente á vista. No que toca as amizades acontece o mesmo. Costumo ter á minha volta pessoas amigos que num ou noutro factor coincidentemente ou não, se tocam. Estas características que geralmente nos provocam desconforto são aquelas que tomando a forma de um espelho podemos encontrar em nós próprios, e com as quais ainda não aprendemos a lidar, e por isso estão aí á nossa frente para nos fazer pensar, entrar em choque. Quando o assunto se resolve deixa de nos fazer eco, essas pessoas geralmente seguem o seu caminho e vem outras e assim vamos aumentando a nossa frequência vibratória e melhorando o nosso dia a dia com maior consciência sobre os nosso próprio ser e assim vivemos com mais autenticidade.

Na minha vida pessoal, que serve não apenas para mim, mas para toda e qualquer pessoa que com o que escrevo se identifique. Saliento que escrevo para quem se revê integrar na sua vivência como forma de melhorar, viver melhor,..vou passar a um exemplo prático,

Somos seres humanos cheios de duvidas, ensinamentos, recalcamentos, nuances… Temos dentro de nós uma escola de “deves” isto ou, “não deves” aquilo. Toda a gente durante a nossa infância e por ai além opinou sobre como devemos agir ou comportar-nos. Os nossos pais afogam muito das suas frustrações em nós, filhos. Anseios por viver, desejos por alcançar que deveremos conseguir ultrapassar,  para não passar por tudo o que eles passaram. Nós próprios começamos a fazer o mesmo com os nossos filhos, se não tomarmos consciência que devemos parar e deixa-los viver, respirar, criar as suas próprias expectativas, sonhos, desejos.

“Eu posso não concordar, mas vou gritar ao mundo o direito que tens de o fazer”

Na parte mais consciente da minha vida adulta. Digo consciente porque casei com 18 anos e aos 20 já era mãe, e tinha uma carga pesada de preocupações numas costas que não são as mesmas que encontro nestas mulheres do campo, endurecidas na escola da vida. Neste meu percurso mais consciente dei-me conta que a minha necessidade de liberdade é primordial nesta minha caminhada. Além disso, a necessidade de provar a mim própria que sou capaz de levar a minha vida para a frente sozinha é para mim imperativa. Ser forte,dura, frontal…tudo aquilo que nunca me vi ser quando era uma menina introvertida e pouco faladora e cheia de medos. Sempre encontrei nos poucos namorados que tive uma característica única neles todos. Uma incapacidade de decisão, uma incapacidade de resolver determinadas situações e virarem-se para mim e dizerem. Resolve tu!!…sempre que me defronto com esta caracteristica é como se voltasse ao meu eu pequenino e me retraísse para um canto, sentindo o peso do abandono.

Só quando aceitei perante mim propria que precisava de alguém que olha-se por mim, obtive um “deixa estar, eu ocupo-me disso” (estas palavras foram ouro para mim numa determinada altura ainda que, de nada especial houvesse para se ocupar)

Resolvo eu?? 

Na verdade passei anos a resolver, e ainda hoje sou rápida nessa caracteristica se tenho de ser EU, mas se me colocar em frente ao espelho e colocar uma outra Graça ao meu lado, aquela que integra em si este sentimento azedo, talvez até perdido, quando  ouço saído da boca de quem o profere esse assustador “resolve tu” vejo bem a Graça que eu era quando era pequenina. Incapaz em tantas coisas . Incapacidade essa que afinal cresceu comigo a par e do que ainda hoje vivo, e que a vida se esforça por colocar bem á minha frente como forma de eu as vencer. Vencer-me a mim própria.

Ao tomar consciência disto, tomo consciência da minha sombra. Eu Graça luz, a fortalhaças, a mulher capaz das decisões duras e algo rebeldes, e o meu contra ponto, a Graça frágil, metida com ela que queria tanto ter alguém que a ajudasse nesses momentos com uma tranquilidade que nunca encontrei, e no entanto sem se impor como uma imperador e subjugar essa Graça que só respira em liberdade (asmática por sinal…)

Isto é a dita vulnerabilidade e assumi-la é a única forma de nos vermos com autenticidade. 

Tu és aquilo que atrais.

“O preço que pagamos por reprimir a nossa ((sombra)) é a falta de autenticidade. Também o bloqueio do nosso poder criativo.

Faz-nos sentir inseguros.

É a nossa vulnerabilidade que nos faz ser amados, que nos liga (conecta) com as outras pessoas, que nos faz ser autênticos. Não podemos conectarnos com as pessoas de uma forma autentica, se não estivermos dispostos a expor o nosso verdadeiro (eu)- e sobretudo a nós próprios

…é ai que está o sumo.

Quando mais deres, mais tens”

Comecei a abrir olhos para tudo isto á medida que fui ajudando a minha existência através da leitura, mas foi fundamental um dia, um senhor, amigo, com quem me cruzo há alguns anos mas com quem só recentemente falo. Pessoa calada observadora, me disse que me achava frágil. No momento fiquei perplexa. Não intregrava em mim de todo esta característica. -“Eu frágil????” mas na verdade…era!! ou melhor Sou! e na verdade quero ser. É o que chamo de equilíbrio, carinho por aquilo que sou de nascença e luto para vencer mas que se calhar não tem de ser vencido, mas sim vivido, sem medo.

3 pensamentos sobre “A arte de aprender a nossa Sombra. Ensaio sobre o post de Justine Musk

  1. Engraçado temos andado a volta do mesmo assunto só com palavras um pouco diferentes, nunca lhe chamei sombra !
    Mas tenho pensado muito, porque atraio o que não quero ?!

  2. A sombra……temos que aceita-la!!! Conhece-la. E viver com ela. Somos um todo….nós e a nossa sombra.

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