aqui pelo campo

O viajante

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Hoje saltei da cama para o mar, literalmente. Vesti uma camisola de marinheiro para melhorar um pouco o aspecto matinal sempre desgrenhado por muito que eu tente o contrario, deixei os miúdos na escola e desci até Guilheta sabendo o que iria encontrar. Um mar azul intenso com ondas rasteirinhas que convidavam a fazer o que fiz.

Não levei máquina porque acho cada dia mais que fotografar  momentos destes para a minha posteridade ou para animar os outros, faz-me viver o momento muito menos presente. Resolvi assim desta vez.

Atravessei o muro de pedras e vi-me num imenso areal, completamente sozinha (coisa que nem sempre me descansa porque tenho algum medo) mas hoje levei as minhas asas que nestes dias peço emprestadas a um amigo e fui. Descalcei-me, meti os pés na água e imediatamente me senti desanuviar. Curiosamente fazer isto faz-me sempre pensar que quando a onda vem rasteira retira-nos o chão debaixo dos pés que no fundo é o que vamos ali fazer. Expor sozinhos ao vento as nossa vulnerabilidades. Caminhei sem cessar. Pensei nos meus planos, e quem sabe talvez cumprir um há muito a mim prometido e que é, pegar na miudagem, e descer ao Algarve acompanhada de livros e tintas e espraiar-me em Lagos num sitio onde sei um dia voltar, mas dei comigo a pensar que até mais por eles porque aquilo que aqui vivo tem algo que vem tapar uma lacuna de algo que quis viver e não vivi, e agora voltei e estou a tapar esse vazio, porque o que pensava enquanto o mar me molhava as calças, era que aqui tenho tudo o que quero e anseio. Isto pode parecer limitado mas na verdade é a total verdade dos meus sentimentos e para mim algo inexplicável. A praia preenche-me, o rio relaxa-me, as flores respiro-as, os caminhos de arvores enchem-me a alma, os montes dão-me arrepios de êxtase, o sol do fim de tarde é inconfundível, o chilrear da quinta é o meu retiro, o correr da vida de forma rotineira é aquilo que vivo neste momento e aquilo que anseio é esta simplicidade e só!! A certeza do trabalho já a tenho e já nem me imagino a fazer mais nada, ou seja, já não preciso de procurar, inventar, sinto-me bem comigo mesma, tenho a vida a construir cada dia um tijolo e a liberdade de não ter ninguém e ter toda a gente, mas só dever satisfações a mim mesma….Já consigo passar À acção quando ela se me assemelha difícil sem pestanejar. Sinto-me sempre de volta a casa neste cantinho de Portugal e percorro o mundo e coisas que se calhar vou perder de vista por pensar assim, mas quando se se está bem, mesmo sabendo que há dias que sim e outros que não, tudo faz sentido. O sentido merecido.

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