aqui pelo campo

Movermo-nos sempre em frente

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Hoje passei uma dia excelente no meio de amigos e no regresso por entre os verdes intensos das vinhas enchia-se de sentimentos intensos também o meu coração. Vir devagarinho até casa a apreciar toda esta beleza campestre é um bálsamo para o inicio de uma nova semana. 
Excitada com a semana de trabalho que se avizinha agora que certas coisas mudaram e por isso hoje venho aqui falar do poder da indecisão.
Sábado foi ao “ralanty”, sem meninos nas delicias da solidão da maternidade que amo tanto quanto preciso de uma trégua de quando em vez e, no café de Fão onde páro no meio de amigos de muitos anos, leio um pouco o meu “Making ideias happen” de Scott Belsky o criador da Behance onde muito brevemente vou registar o meu trabalho. Leio este livro como alguém que precisa de um conselho, ou seja, aqui e ali e foi curioso no Sábado fui abrir precisamente na página que traduz o momento mais importante da minha vida (claro que sem falar no nascimento dos meus filhos, momento esse que considero divino em toda a verdadeira asserssão da palavra) mas voltando ao trabalho que me envolve com um abraço forte, aquele abraço bem masculino que todas as mulheres gostam e que nos faz sentir seguras, contava hoje a esses tais amigos que andei anos a marrar tipo teimosa naquilo que gosto, sem saber ao certo o que gostava, sabia que precisava de criar, criar, criar, mas por onde ? Onde começar e onde parar? por onde ir sem me perder?
Andei tanto, fiz tanta coisa, tudo naquela pica do projecto que vai muito além do ganho. Mas as coisas foram indo e vindo, e eu fui deixando ir, comecei a ganhar consciência objectiva, pelo meio tive muitos atropelos e em todos eles eu me agarrei a algo e me re-ergui, e voltei meia trôpega ao meu caminho e, lá ia eu outra vez. Passaram-se anos, momentos de duvida, ansiedade em que tudo o que vem á rede é peixe para juntar dinheiro e ou talvez poder gastar nas coisas essências do dia a dia. 
O tempo passou mais um pouco e eu fui reduzindo a minha dispersão, fui-me focando em menos coisas e ao mesmo tempo fui ganhando maturidade, de maneira que, quando meu filho adolescente me pergunta em que altura descobri o meu estilo eu posso seguramente responder que foi aos 45 anos o que o desanima verdadeiramente, mas voilá! 
COMMIT YOURSELF IN ORDER TO COMMIT OTHERS 
E o titulo do meu capitulo de sábado e foi precisamente o que fiz com o inicio de 2013, que eu sabia intuitivamente que ia ser grande para mim. Grande nas passadas de pernas altas que tenho, grande nos riscos que teinho de correr, grande nos objectivos e maior ainda na segurança e no poder de confiar, mas sobretudo o ano em que com uma pureza de coração quase infantil eu disse:
Baixo a guarda da minha vida e espero para ver o que acontece.
Cheguei ao final de Janeiro comprometi-me comigo própria. A vida que vivemos deve ser vivida com total prazer e não apenas sobrevivida. Comprometer-me com o meu trabalho a ponto de nada me tirar a alegria que preciso para ele, é o resultado de muitos anos de muita pesquisa, desejo, amor, de me procurar a mim própria no meio da confusão de mim mesma e ir buscar lá ao fundo uma Graça que vivia sozinha lá dentro algures e que precisou de sentir a luz do sol.
Comecei Janeiro e mudei a minha vida. Larguei tudo, dediquei quase um mês a mim mesma e só, a dormir, a pendurar a roupa a 10 á hora, a sentir o vento na cara entre a minha casa e os recantos da quinta, a ter prazer em fazer o jantar e sentar-me á mesa e silenciosa ouvir a algazarra de um dia contado, a acordar e pensar, hoje não tenho pressa e ao fim do tempo que precisei para recuperar a minha energia, perdida, gasta, cansada montei uma tela e foi aí que eu soube que apartir desse dia a minha vida seria a pintar e só, mas mesmo só para já. 
É um prazer entrar de manha no atelier onde me rodeio dos meus papeis e tintas e recortes, preparei tudo para ser pratico e fácil de acesso, estou a montar feito por mim um caderno XXL de recortes que será o primeiro de muitos onde vou reunir tudo aquilo que me inspira para a vida e para o meu trabalho e é aqui que estou. Neste ponto . Alinhada, dirigida e comprometida comigo e com os outros.
Quando terminamos com o poder que a indecisão tem sobre a nossa vida e deixamos de ter um pé dentro e outro fora. ficamos ali, naquele sitio e as nossa forças estão todas ali “aquilo” torna-se vivo!!

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