aqui pelo campo

"Nem um Deus conseguirá transformar em derrota a vitória de um homem sobre si mesmo" Buda

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Continuando os temas propostos estou aqui a escrever e ao mesmo tempo a ouvir Christopher Reeve o famoso super homem sentando na sua cadeira de rodas a fazer um esforço brutal por falar e deixar uma mensagem para todos aqueles que tem necessidade de se superarem a si mesmos.

Bater no fundo do poço, começar do zero e ter um sorriso na cara, foi o tema proposto e eu vou tentar falar um pouco sobre ele.

Hoje ia de carro a relembrar que quando era pequena era muito frequente eu pensar o que estaria a fazer quando chegasse ao ano 2000. Porque teria eu este pensamento a ponto de ainda hoje o recuar no tempo não sei. Acho que já em mim estava escrito que seria o inicio de algo muito diferente e como tal me iria marcar. Tentar vir aqui falar sobre certos assuntos faz com que seja imperativo trazer as minhas experiências, mas nunca num sentido narcisista. De todo. Por vezes coloco-me essa questão e se não transmitirei essa mensagem erradamente. Tenho ao longo deste tempo todo tentado fazer uso das coisas que fui crescendo e deixar algum tipo de mensagem que leve alguém a um local melhor na sua viagem.

Era o ano de 2011 e estava eu precisamente á um ano a viver na casa que sonhei a dormir e vi crescer acordada. O ano que demorei a esvaziar os caixotes, a pintar as paredes foi também o ano de uma luta sem igual sobre mim própria. Certo dia estava eu como calculo que muitos vocês totalmente bloqueada perante a necessidade de criar uma estratégia que me permitisse levar a minha vida a bom porto sem perder o meu norte. Sozinha no atelier lá em cima, o meu estirador expunha contas em vez de telas e o meu companheiro o Tiro. Sempre o tiro. Mergulhada em toda uma angustia que desde ai nunca mais senti, recebi um telefonema que relatava um acidente sem danos de maior mas do qual o veredicto final era o meu carro ir dali direito para a sucata. O filho estava bem, o então marido também. Desliguei o tlm e acorri ao local acho que a flutuar entre o meu lado da razão e o meu lado do medo do que me iria ainda mais acontecer. Cheguei a casa cega, a ponto do meu interior não tolerar ouvir as vozes que á tantos anos me acompanhavam e pela primeira vez acho que me sentei no fundo do poço. O meu poço era o canto mais escondido nas traseiras da casa que consegui encontrar, com um rolo de papel higiénico por companhia e ali acho que reguei o jardim para um mês convulsivamente. O que aconteceu aseguir ainda hoje me deixa estupefacta quando penso. Aseguir a passar por uma situação que em que nos vemos sem forma de solucionar os problemas que de dia para dia crescem num culminar de anos que sempre me avisaram que tal iria acontecer, e aseguir a entregarmo-nos ao desespero (que não era apenas pelo carro, mas por muito mais) segue-se um silencio vazio, de vácuo nas nossa cabeça. Sinto que a nossa vida pára no tempo por instantes e que há um realinhamento súbito de algo quase a cair de um precipício. São inúmeras as exigências diárias  por simples que sejam que de tão simples se podem tornar quase insuperáveis, mas eu sempre guardei comigo um postal de uma peça de teatro que dizia “Alguém tomará conta de mim”. Confortava-me ler aquilo.
Quando parei, sentada no chão lá fora e esse vácuo se apoderou de mim, sabendo que nada mais me poderia deixar pior recebi uma mensagem de um dos meus filhos de dentro de casa que dizia “Mãe, se fizeste esta, fazes outra” , passados meia dúzia de minutos outro filho ligou e disse : “Mãe apartir de hoje recebo ordenado”, nem mais meia dúzia de minutos ligou-me o meu mecânico e disse “Dona Graça vendi-lhe o seu carro” (na altura um segundo carro que eu queria vender para reduzir despesas), aseguir ligou-me uma cliente a dar-me conta de um pagamento efectuado e estando eu ainda meia zonza com a sincronicidade de tudo isto, vejo chegar uma mota que me pareceu reconhecer mas imediatamente desliguei pois estava no meio de uma total estupefacção. Quando olhei para o lado tinha sentado ao meu lado uma amigo de muitos anos e conselheiro que me disse: passei para ver como estavas”…Alguém toma de facto conta de nós, mas as experiências de restrição são lições poderosíssimas que nos fazem nunca mais perder o sorriso na cara.

Não precisamos de metade nem um terço daquilo que teimamos em querer. Hoje em dia não faço questão de nada em especial material.

Entretanto vim a conhecer alguém que muito estimo e que me contou que nos seus dezoito anos, foi a pé até França, andou kilometros á chuva, saltou muros escoltado por pessoas que passava emigrantes em locais secretos, dormiu aninhado no meio das ovelhas para secar a roupa no corpo com o calor das mesmas, esteve isolado no meio do mato sem nada para comer ou beber e ia buscar agua ás poças deixadas pelas patas do elefantes, perdeu  a mulher que mais amou e vive diariamente com um sorriso luminoso, tem uma gargalhada resgatada depois de 22 anos de casamento não desejado e uma ânsia de viver aos 64 anos como poucos jovens que conheci.
Penso que o dizer se Buda se aplica muito bem aqui.

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