aqui pelo campo

12.12.12 Momento de lucidez

3 Comentários

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Ontem tive acho que o meu primeiro momento de lucidez em 45 anos de vida. De tal forma que a partir de ontem encaro a vida com outros olhos e talvez por isso hoje me encontro cansada, algo vulnerável e a precisar de estar de porta fechada.

Em conversa com um amigo que prezo como irmão, uma daquelas pessoas que vem á nossa vida num momento especial e por ordem divina ( penso que todas vêem, mas algumas ficam para sempre, outras são passageiras lições de vida), pedia-lhe um conselho sobre um assunto sobre o qual me tenho debatido neste ultimo mês e sobre o qual tenho ouvido diversas opiniões, algumas a meu pedido, outras porque as pessoas acham que tem sobre o dito assunto uma opinião bem formada. Algo que se prende com o meu passado e que tem de ter com o final deste ano um final feliz. Feliz para mim.

O Miguel deu-me, de todos os conselhos que já ouvi, aquele que considero que me trouxe este momento de lucidez.

“Constroi-te do zero”

Assim como um conta Kilometros de um carro que se leva a zeros!!

Sai de casa para passear o Mateus já a noite ia alta e de repente ao recordar a nossa conversa, uma luz acendeu-se dentro de  mim. Como se até aqui eu tivesse apenas vivido e sempre á meia luz. Devo dizer que detesto meia luz nas casas deprime-me, razão pela qual tenho sempre tudo aberto para o dia entrar escancarado.

Tenho 45 anos certo?
30 dos quais foram vividos sempre na companhia de um mesmo homem (Conheci-o com 15, casei com 18)
Esses 30 anos foram uma montanha Russa diária e constante, não negando bons momentos o meu sentimento foi sempre de desconforto. Apenas os vivi. (Deles trouxe o maior presente da minha vida)
Sobram 15 certo?
5 desses 15 eu não me recordo deles, era bébé.
Outros 5 foram os que mais me marcaram, as férias, a idas a Ponte de Lima, tudo aquilo que marcou a minha vida futura em memórias que me fizeram, tomar direcções. E aqui estou eu no meio do campo, numa aldeia onde não tenho família, e onde me sinto lindamente.
Nos últimos 5 desses 15 vi o meu pai sair de casa, a minha mãe a trepar uma montanha com as pontas dos dedos e sem rede de protecção para nos manter e de repente (saliento aqui e a letras blod que não culpo nenhum dos dois. Todos nós passamos por momentos decisivos e inadiáveis) aqui estou eu nos 45, alerta como nunca estive com este resumo que me deixou perplexa e me fez pensar a noite toda.
Até chegar aqui tal como a minha mãe, repeti muitas das coisas que na vida dela se passaram, tenho a minha montanha para trepar, tal como ela sem rede de protecção e tento não olhar para baixo.

Vivo o meu primeiro ano a reconstruir-me de todo este passado, a exigir de mim mundos e fundos e a tentar passar para os outros tudo aquilo que me construiu como pessoa e decido que:

Nunca mais vivo sobre a pressão da vontade dos outros
Que não vou desta vida sem experimentar as sensações que me faltam viver
Que quem caminhar ao meu lado tem de me assumir tal como sou, intuitiva, a viver sobre premissas de corpo, mente e espírito
Leitora e interessada por psicologia cada dia mais
Pintora
Mãe com um carro cheio de filhos
Intensa e apaixonada
Comunicativa
Cor de rosa
Cheia de florzinhas por mim e pela casa
A dormir de janela aberta e a acordar com o sol a dar-me na cara
Altruísta
e sempre a crescer.

Decido que não quero perto de mim:

Pessoas indecisas nas suas emoções
Sem capacidade de decisão
Que não gostem da mesma musica que eu (tal como sabiamente diz o Rui Veloso)
Que não sejam á altura, na sua honra, de tudo o que exijo
Pessoas criticas por merdas de nada…
Pessoas que precisam da minha energia para restabelecer a sua.

Este é o meu manifesto em finais de 2012 depois de uma vida vivida num ápice. Estou á espera da sobremesa!! (Como diz a outra: – “Guardem os garfos que o melhor ainda está para vir”)

3 pensamentos sobre “12.12.12 Momento de lucidez

  1. Olá Graça! É preciso coragem para tomar decisões assim… mas no fundo a coragem não é o primeiro passo. É realizar que afinal estamos tão entranhados nas vontades exteriores a nós que no fundo vem de uma sociedade consumista e fútil. Acabamos por perder a nossa identidade, penso eu. Gosto muito de ler o seu blog, e este posto tocou-me bastante. No final do ano quando fazemos uma retrospectiva do que se passou ou de que fizemos pensamos sempre" para o ano não é igual….", mas há uma linha que separa entre o "para o ano não é igual" do " para o ano vou fazer por não ser igual". Boa sorte par os próximos anos vindouros cheios de sensações para viver.Beijos

  2. Um magnifico manifesto. Que venha, então, a sobremesa, que ja se viu que vais estar pronta para a saborear.

  3. Estou mesmo a ver que não vou é sair deste blog tão depressa:) Quando aqui cheguei achei tudo diferente achava que tinha sido o design do blog mas afinal há outras grandes mudanças.

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