aqui pelo campo

"As mais lindas palavras de amor são ditas no silêncio de um olhar". Leonardo da Vinci

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 Ia eu a pensar hoje de manhã que devia trazer sempre comigo um bloco, para na altura certa resgatar os textos que na integra me invadem o quotidiano, e se perdem no vento sem eu os agarrar.
Domingo de manhã é sagrado para mim.
Acordar quentinha com o verde dos laranjais que circundam o meu quarto, o correr das águas constante, o sol que anuncia o verão de S. Martinho, a aldeia que se prepara para o magusto de comensais e o burburinho tão típico das manhãs que recordo.
Passeio com o Mateus até lá cima aos Filipes porque adoro o cheiro a pinhal por onde passo, o cheiro das chaminés que aquecem as casas ou antevêem os almoços, o latir dos cães que deles o Mateus nem dá conta e, ao chegar lá cima sou recebida por um pinheiro magnifico que nos recebe de braços abertos que,  fosse eu pequena correria a abraçar.
A serra majestosa ao fundo, os fresco dos caminhos serpenteados de muros de vinhas despidas, os castanheiros cansados de tantas castanhas que ali mesmo apanhei e as mais saborosas comi e o pensamentos que me assolam de que andamos ao contrário.

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Vivo pela primeira vez ao sabor das estações, todos os fins de semana tenho uma fartura de legumes frescos na minha cozinha, o colorido das árvores é incrível, e o tempo convida a abrandar, Só agora sei o que são os navais, e quando se podam os olivais. Os campos de milhos encheram os espigueiros de cor.
Em casa tudo o que tenho é dado pelos vizinhos que de uma simpatia sem igual me interpelam na rua e perguntam se ainda tenho batatas….Nem deixo os legumes irem ao frigorífico e sento-me a fazer uma sopa domingueira e a ouvir Chopin, o único disco que trouxe comigo. Delicio-me com aquilo que de pequenina sonhei na casa dos caseiros em Ponte de Lima e que agora faço.
Nesta altura devíamos abrandar, viver mais silenciosos porque das árvores despidas e de troncos semi nus se fazem os nossos corpos.
O almoço é de alegria, o “tacho” de grão delicioso, e o meu arroz ilumina quem o grão me trouxe. A mousse é esperada com impaciência e as castanhas cozidas com fruncho e sal, babadas com manteiga fazem do nosso Domingo uma recordação de aldeia que jamais esquecerei.
A solidão que sinto, que me é graça concedida, e á qual após tanta insegurança faça a minha vénia. Os fogosos amores e as saudades que ficam.
Os mistérios da vida de tantos anos cujas caras se repetem e ganham outros contornos.
Dou conta daquilo que quero e pergunto se será ingénuo.
Momentos que nunca senti e que tive mas sempre vivi vazia e por vezes escondida.
O Domingo do acordar e olhar para a cara que de noite nos aqueceu dos abraços de desejos que só vibram escondidos nas brumas dos olhares.
O carinho sentido.
O almoço de família na cozinha de pedra na fartura das colheitas.
O passeio da tarde, o prazer da companhia.
O recanto de cada um e o respeito pelas portas por vezes fechadas. e o cair da tarde tranquilo antecipa a semana que se avizinha, e eu pinto, e ele por ai se faz sentir silencioso, e a noite cai, e um filme e um colo de cabeça no meu colo.
Será pedir muito?
Será que aquilo que procuramos nos procura também?
S. Paio de Antas 11 de Novembro dia de S. Martinho.

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