aqui pelo campo

Quem se esconde por trás das minhas aguarelas

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Faz dia 29 um ano sobre a minha saída de casa e atravesso uma das fazes mais difíceis da minha vida, de ansiedade já compreendida mas ainda pesada. Uma altura onde ainda tudo esta pendente, onde as pontas soltas me vão buscar ao meu sono e me vão embrulhando como se eu fosse um novelo de preocupações e memórias que nasceram comigo e sei que preciso de ir deitar com umas flores ao mar. Fazer-lhes o funeral.
Muitas  coisas mudaram ao longo deste ano e eu olho para trás e e sinto que não descansei um só segundo porque esta mesma ansiedade e necessidade de ser capaz se sobrepôs.
Tanta coisa entendo hoje que com as lágrimas nos olhos me fizeram escrever numa pedra NÃO COMPLIQUES. limpar O MEU CORAÇÃO.
Sou uma mulher de acção, de dinâmica e com uma força que escondo, que me sai das profundezas do meu ser como se houvesse dias em que trepa com os dedos cravados por mim acima, disfarçada na delicadeza que trajo, que os outros vêem e na qual não me reconheço, a dizer me, vai em frente, mexe-te continua, muda tudo o que tiveres de mudar.
Ouvir os outros foi este ano preponderante nas minhas tomadas de decisão. Ouvir-me a mim fez-me ajudar e receber da boca dos outros um discurso como o meu, que eu não ouvi-a, proferia sem ter retorno. As vezes acho que ao 18 parei e hibernei  e voltei a acordar aos 40 como uma bela adormecida uma vez que adoro historia com finais felizes..
Embrulhei-me na minha melancolia, como diz um amigo que faz tão parte de mim como a luz que emano. Como um claro / escuro, um aberto / fechado.
Mudei a a minha arte que se escondeu num silencio que eu precisava por trás das paisagens que sempre deixavam ver alguma cor e, nas aguadas como as poças onde sempre adorei chapinar os meus pés e o caos de que sou feita teve dias onde nasceram  estrelas.
Fui abatendo, curvando, sempre que as coisas voltavam para mim em padrões repetitivos e percebi que  não existem pecados e que a frequencia é de amor á nossa volta.
Percebi que forçosamente algo me incentiva a viver aquilo que não vivi.
Percebi que não há relações sem lutos e funerais, sem virar as costas. 
Percebi que a minha chama precisa de axas e não de agua.
Percebi que eu própria faço isso, que sou fogo e água. Que uma Graça quer arder e a outra apagar,
Tenho de ser transparente porque quero, sincera porque sem o ser não sei ser, caótica porque isso me faz criar, que preciso de tempo, que não descansei.
Eu sou assim
Senti que andei a construir prateleiras e que está na hora de arrumar, que é justo ter grande, mas que não quero penthouses em NY, que detesto depender, que é preciso saber pedir ajuda, Aprendi a gerir o pouco para ficar com quase nenhum e que nunca foi nenhum porque, no meio disso até as pessoas que passam por nós  diáriamente e nas tarefas mais triviais me ajudaram
Ouvir é preciso mas pensar pelas nossa cabeças é um acto fundamental
Sinto-me agora a chegar ao fim desta estrada que percorri de mãos dadas com os meus filhos e que chego ao seu final perplexa com as certezas que tinha e que deixei pelo caminho porque tanta gente importante surgiu na altura certa, porque “alguém” sabia que eu ia precisar delas. Atrás de mim vem uma multidão de meia dúzia de pessoas que valem por pouco o muito que deixei pelo caminho.
Que ensinei até agora e neste momento preciso de aprender a ser de novo!

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