aqui pelo campo

SE acreditarmos

2 Comentários

Um dia estava eu em casa na necessidade de tomar uma decisão importante para mim e, em arrumações de livros saí para apanhar ar e tentar decidir. Ao passar pelo sofá pousei a mão sobre um livro que tinha ali deixado de poemas que tinha pertencido ao meu avó e me tinha sido dado pelo meu pai. Ao por-.lhe a mão pensei. “Tenho que te arrumar”.
Quando regressei tinha a minha decisão tomada e fiz o mesmo percurso, passei pelo mesmo livro e, reparei que estava aberto. Fui ler um minúsculo poema e o que dizia e era basicamente isto. “..e do fundo do meu caixão eu digo, minha filha, FIZESTE BEM..” 
Percebi a importância daquele momento.
Alguns dias mais tarde estando eu nas minhas deambulações pela casa num momento complicado de dias tortuosos e na necessidade de tomar uma outra decisão, sendo que desses dias se faziam delas, fui sentar-me ao computador e quando lá cheguei tinha em cima do teclado uma foto do meu pai que toda a vida guardei e tinha perdido o rasto nas mudanças. Percebi mais uma vez que alguém me estava a tentar ajudar.
Nos meus 13 anos, numa das minhas idas á Clave, a loja que musica que o meu pai tinha no Porto, para lhe levar bolachas de manteiga feitas por mim, em troca ele deu-me um poema manuscrito por ele. SE de Kipling que guardei como algo ao qual senti um peso especial e naquela altura no meu castelo resolvi escreve-lo na parede para o ler diariamente. No final pintei-o por cima e vim embora.
Conto esta história para quem a lê saiba que há de facto momentos especiais que muitas vezes ou, a maior parte delas dos inibimos de (ouvir) e hoje uma amiga com quem nunca tinha falado lembrou-me este poema escrito na minha parede num dia em que precisava de o ler!
O beijo / The kiss

Se
                                    
Se és capaz de manter a tua calma quando


Todo o mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa;
De crer em ti quando estão todos duvidando,
E para esses no entanto achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais, nem pretensioso;
Se és capaz de pensar — sem que a isso só te atires;
Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires
Tratar da mesma forma a esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que disseste,
E as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas,
E refazê-las com o bem pouco que te reste;
Se és capaz de arriscar numa única parada
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignado, tornar ao ponto de partida;
De forçar coração, nervos, músculos, tudo
A dar seja o que for que neles ainda existe,
E a persistir assim quando, exaustos, contudo
Resta a vontade em ti que ainda ordena: “Persiste!”;
Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes
E, entre reis, não perder a naturalidade,
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes, 
Se a todos podes ser de alguma utilidade,
E se és capaz de dar, segundo por segundo,
Ao mínimo fatal todo o valor e brilho,
Tua é a terra com tudo o que existe no mundo
E o que mais — tu serás um homem, ó meu filho!

2 pensamentos sobre “SE acreditarmos

  1. Gracia, que hermoso poema, realmente es para tenerlo pintado por siempre en una pared para leerlo un poquito cada día. Quizás tengas ganas de pintarlo en tu nuevo hogar, en tu hermoso "castelo", ahora verde (por el entorno, con tantas plantas y hortencias azules). Yo le pondría de título a éste post: SINCRONICIDAD. Gracia, te mando beso y abrazo desde Uruguay, Silvia

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s