aqui pelo campo

Os cabelos brancos que te vão tão bem

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Cheguei era já tarde ontem do Porto, vinda de assistir ao lançamento do livro de António Souza Cardoso, perante uma Anje cheia, onde no meio me “escondi” silenciosa a ouvir os vários discursos que homenageavam um homem com muitos amigos.
Sou uma leitora tardia, como já muitas vezes afirmei porque vivi vinte e seis anos da minha vida rodeada de livros, e ao lado de um homem que lia de dia para dia, cada vez mais fechado nas suas leituras mas a quem nunca vi pôr em pratica a imensa sabedoria que absorveu. Ler para mim era pesado numa altura em que tanto interferia na nossa vida e, só o consegui fazer mais tarde, por necessidade e prazer quando precisei de lidar com situações a quem não podia pedir conselhos a não ser aos livros. Livro aqui, outro ali fui descobrindo o prazer do conhecimento e imediatamente me dispus a pó-lo em pratica e, é isso que aqui estou hoje a fazer.

Um leitor tardio, acho eu, adora contos. Rápidos nas historias, envolventes regra geral, são aliciantes e eu não fujo á regra. Sempre procurei muito livros de contos e ontem tive o prazer de ver um quadro meu a ilustrar uma historia que me foi enviada em PDF e que confesso na altura não li, porque como sempre me acontece quando tento ler no computador, cansa-me, não tem o prazer de me sentar á mesa do pequeno almoço num silencio matinal a tomar um café e a perder-me nas páginas com cheiro papel. Resolvi esperar, confiando seria de certeza uma ilustração colocada num conto de alguém valoroso e que dedicou a minha ilustração ao sentido do olfacto. Livro que fala dos cinco sentidos, que são, já eu sabia seis quando para ele fui convidada. 
Aqui deixo um aparte. Os Africanos consideram o sexto sentido, que é a intuição, o sentido mais importante de todos. Eu concordo plenamente porque apesar de escondido, incompreendido por muitos e até temido, é o único que nos dá uma compreensão avançada daquilo que podemos antever e corrigir. É o sentido no nosso poder interior que tanto renegamos.
Voltado ao olfacto. Achei curioso ser-me atribuído o olfacto do qual eu tanto falo nos meus textos, quando por esta aldeia me encanto com os cheiros que por aqui vou deixando. Cheiro a forno de lenha que nos fim de tarde invade as ruas. Cheiro de estrugido que vagueia por entre a quinta aos Domingos lembrando-me do almoço de família no restaurante vizinho que desfecha num café, á sombra de uma centenária Japoneira, e onde os cheiros da aldeia se misturam e tão deliciosamente me apaixonam. 
O cheiro é para mim uma das particularidades mais importantes se falamos de relações pessoais porque é aquilo que mais recordo num homem e nos seus abraços. É aquilo que instantaneamente une homens e mulheres.
Comecei então o meu dia a ler o meu Contos consentidos e sorvi-o em duas taças de café e quatro torradinhas de pãozinho do Augusto generosamente barradas com manteiga e fui-me deixando levar pelos sonhos do Francisco e da Clotilde que me comoveram e me fizerem acho que, pela primeira vez, colocar-me na pele e perdoar um homem que acompanhei durante anos, a quem entreguei a minha adolescência e dediquei o meu coração, e que de forma não consciente, tão mal nos fez a todos. Revivi cenas que me foram descritas mas nunca consegui sentir como minhas, como sendo o suicídio de um pai na altura mais importante da vida de um filho, mais tarde o de uma mãe que nunca se recompôs do desgosto, penso eu, e o lamber das feridas de um homem que nunca obteve ajuda, que nunca se curou da dor e que se escondeu na bebida, sem nunca o admitir e nos magoou muito, no entanto sem nunca querer. Fez-me chorar a dor dos filhos que vêem coisas que nunca deviam ver e recordou-me que deles temos nós a obrigação de cuidar mas que a escolha é de cada um.
Aconselho-vos a leitura deste livro que de todos tem tem um pouco.
Obrigado Dr. António por me ajudar a perdoar.

Um pensamento sobre “Os cabelos brancos que te vão tão bem

  1. Olá Graça, Bom Dia.Cá estou de novo a ler os seus escritos (sem ofensa claro) depois de três meses de ausência (estive mais uma vez no Equador), e quero dizer-lhe q já tinha saudades de me sentar no meu escritório, e ter o tempo todo para si, sem preocupações. Claro q lá sempre fui dando uma olhadinha, mas numa casa de familia e com crianças á volta, não é possível ter mts momentos de recolhimento q precisamos.Tenho como sabe duas netas lindas q qd me apanham só para elas, não abrem mão, e isso para mim é uma benção. Portanto, e aqui chegando, estou a pôr as minhas leituras em dia, e comecei por "Os cabelos brancos q te vão bem", pq eu tb já tenho mts… A minha escolha é aliatória. Claro como sempre vou seguir o seu conselho e comprar o livro. Os livros (alguns deles) teem esse feitiço q é abrirem uma janela para dentro de nós e ajudarem a aclarar e a compreender as coisas q ainda estavam na sombra…mas sem maturidade não conseguiriamos fazer. Isto quer dizer q a Graça neste momento está pronta, subiu mais um degrau compreendeu e com a compreensão veio o perdão. Parabéns minha querida amiga. Um beijo e obrigada

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