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Dia 2 *A história de uma madrinha de guerra

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Dia 2

“…Aqui vai ser o meu retiro, o meu carpir, o meu templo de felicidade em que a solidão é algo, que venha quem vier se fez necessária, um modo de vida silencioso interior, de repensar, de encarar.
O meu obrigado é visceral, a minha pena também quando olho para trás e vejo que, quem deixei não consegue sentir este meu sentir, embora eu o deseje feliz e honrado. Passado que honrei, que muito me pesou, que, como mãe de família e esposa leal me fez implodir as minhas emoções, afogar as minhas paixões.
Pelo fim começo com uma história, história essa que vos vou contar e que, sem mencionar nomes vai falar um pouco do que a certeza nos trás, quando, contra tudo e contra todos nos afincamos pé e vamos em frente como que guiados por uma mão que um dia nos entrega ao destino…”
” Foi-me contado que, uma tal cunhada, senhora de pacato viver, foi em tempos idos madrinha de guerra de um jovem que pela India se radicou, escureceu a sua pele e viveu as angustias da guerra de então que tantos sufocos e saudades trouxeram a uma geração ainda jovem e plena de sabedoria.
Tal senhora durante meses que não viam fim, escreveu cartaz de companhia a esse jovem e no seu reler se foi entregando de coração numa resposta que ansiava receber em Portugal. Um dia, veio com uma dessas cartas uma foto de um homem que apenas conheceu a beleza nos olhos da sua amada que, elevou acima da preocupação familiar e desfecho desta situação cujo principio de certeza afincava e que jamais abandonaria.
Delegado farmacêutico, a dada altura recebeu uma proposta de colocação e viu a hipótese de regressar a Portugal empregado e apto a aparecer á sua amada, mulher que, tão carinhosamente ao longo de muitos meses lhe quebrou a solidão e o roar dos canhões.
De muitas mulheres era feita essa família, ao dia da carta que trazia a sua vinda, todas, munidas de uma copia da foto se organizaram para o ir receber a S. Bento, cada uma na sua frente velando pela descoberta do homem que lhes causava surpresa. Tantas viveram este momento e tantos foram os que se desiludiram, outros não.
Quem descobriu um homem que se apresentou de estatura baixa, olhos achinesados e pele curtida pelo sol foi a sua madrinha que de braços abertos o recebeu.
Resumo aqui este conto que conheceu um final feliz.
O casamento foi de pompa e os filhos vieram, dois. Viveram em paz e harmonia que nunca abandonou quem teve o verdadeiro privilegio de conhecer alguém de dentro para fora.
Juntos até ao falecimento dele, viveram anos, e hoje ela é uma senhora em paz com a vida, bem resolvida consigo mesma, de missão cumprida e do amor e da certeza de que nem sempre há duvidas nas situações que nos são misteriosas!”

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..é mais um pouco do meu livro que vai deslizando num sem fim de situações que vou compilando por aqui.

Um pensamento sobre “Dia 2 *A história de uma madrinha de guerra

  1. Quem irá escondido debaixo deste guarda chuva????

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