aqui pelo campo

Pequeno almoço no museu de Nova York MoMA

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Esta musica é muito identificativa das minhas ultimas semanas e do seu deslizar. Os dias vão-se sucedendo com a neblina na Serra da Arga que pesa baixa e vai lentamente subindo ao céu, fundindo o céu. Começa o dia no campo quente com um sol que já faltava, as rendas secam brancas ao sol e por toda a quinta se sente um cheiro a lixívia de uma sexta feira de azafama em que todas as pedras foram lavadas e por todo lado as senhoras da terra se envolveram nesta tarefa de alguém que cuida com decoro. Eu fui pintando ao vivo interpelada pelas visitas de quem entra e sai desta quinta para mil e um afazeres de tempos idos que não fazia ideia vir a ter na minha vida. Alguém vai ver as cabras, alguém vai malhar o milho, alguém entra e coloca lâmpadas, ou alguém chega e escova o cão, tudo se apruma, A fruta cai no chão, outra seca ao sol pousada em jornais que nos trazem a crise coberta de uma enorme fartura e harmonia, aquela que só a terra dá. Entro e saio, e volto a sentar-me a pintar de volta da minha ultima ceia de Leonardo da Vinci, desfruto os barulhos diversos dos pássaros que tomaram estas árvores como suas e dentro de mim existe um silêncio que sobrepor muito tempo de tensões que, ainda, por aqui e por ali se vão fazendo sentir num corpo que funcionou em piloto automático durante este ultimos anos e sente necessidade do ir de um passado que ainda se faz sentir. É o meu sentir no começar deste dia em que, eu aqui no computador me absorto das pegas dos miudos que desfrutam uma manhã sem aulas. O cão lá fora espera o pão matinal que comprou a sua presença á minha porta e o cão cá dentro vai e volta.
O meu pequeno almoço foi no MoMA hoje e nas suas 350 obras e eu descubro algo mais sobre a arte que me encanta e que quero partilhar a quem a mim vier tentar saber. As vidas dos pintores traduzidas em pura poesia de opressões que encontram o seu simbolismo nos objectos nas formas e nas cores.

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Aqui o primeiro retrato de Talbot que deixou ao sol uma renda em cima de uma papel quimicamente sensibilizado e que transformou a fotografia com o positivo negativo. O usar da renda, objecto diário e a suas multiplas facetas estéticas até aí desconhecidas.

O retrato de uma família, a do próprio pintor Vuillard que mostra a presença claustrofobica de uma mãe, responsável por um negócio que sustentou uma família e que na pose que demonstra destila a sua força bem como o apagar de toda e qualquer pessoa  á sua volta demontrado pelo pintar da fusao da sua irmã com o papel de parede e posição de deferência. Reparem na cómoda pesada ao fundo que é a simbologia desse peso de mulher e daquelas pessoas que não passam sem deixar marca.

Desejo-vos um Sábado feliz.

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