aqui pelo campo

É de pedir aos Céus*

4 Comentários

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Deitada na ponte, já a tarde se espraiava fim de tarde a dentro, coberta de sombra matizada em que o céu desponta por entre mil folhas que, sem se moverem, se rendem ao calor intenso brindando-nos com a eterna simbiose entre o homem e a natureza, devoro um livro fino, cuja historia me veio para as mãos intencionalmente, aliás como todos os livros se acreditarmos que, quando o aluno esta pronto, o mestre aparece. Li-o quase todo, entre banhos de lontra que precisa da agua para viver, e volto silenciosa á minha tolha, ou deitada na predra que pende para a cascata onde o sol me seca, vivo um dia mágico. Acho que todos o são, mas há dias em que temos a capacidade de observar e outros não, um dia escuridão,  outro dia luz, e para viver cada um mais vale no primeiro viver de facto a escuridão para ela se ir embora e o mesmo ao contrário. É assim que eu me purgo dos detalhes que a vida fede!
Comecei esta crónica cedo, já lá iam as sete de um café quentinho e uma torrada de pão doce, parti para o atelier que pedia ordem. A confusão da exposição, os trabalhos pendentes, a dada altura desligam-me da ordem que necessito e é hora de voltar tudo ao zero. Melhorei a minha zona dos ateliers a pensar no ano que aí vem, depois de ontem á noite o ter iniciado e, respeitando os preciosos sinais da minha sabedoria interior, parei e fui-me deitar. Estar a forçar já nao faz parte da minha filosofia de vida, respeito os meus ritmos biológicos nem que seja já tarde, e tiro para mim uma fatia do dia.
Logo cedo tudo de aprumou, cartazes encheram as paredes, desenhos, materiais ganharam novos locais e eu senti a paixão que me devora de dia para dia, no amor que respiro quando trato do que quer que seja quando se fala de ensinar, vulgo, partilhar experiências. Gosto mais assim.
Toca o telefone, a visita não tardou, foi uma hora de deitar cá para fora a curiosidade que a todos invade e o desejo de ir de encontro ao seus mundos mais secretos quando vêem nos outros vencidos os seus próprios medos. Deixei-os a almoçar á boa moda do campo, lá na minha sombra fresca onde idosos e novos, de férias ou a trabalhar, de perto ou vindos na saudade, regressam inundados de orgulho pela terra que os acolheu deixando em Portugal o tão bonito Portuges…, mas enfim.
Voltei a casa debaixo de um calor que derretia o rosa do meu castelo que ali, se exibia ao sol por entre os verdes sequiosos. Trabalhei durante um bom pedaço, acabei encomendas ante a impaciência dos mais novos, lá lhes fiz a vontade. Fui ao correio e segui rio abaixo. Um rio cheio de miúdos gaiteiros e grupinhos de meninas cujos corpos já por lá passamos pois a vida não perdoa e recordamos com saudade, o nosso!! Ali fiquei a saborear os presentes que, toda esta semana a vida me deu. O passo de gigante que dei, os esfumar das preocupações até aí em escuridão e tudo o que vem depois de uma decisão tomada que nos corroí por dentro e que deitamos cá para fora.
É o meu longo caminhar numa estrada que só agora começou.
DSC00941Belo fim de semana /lovely weekend
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Agora, espero tudo da vida!

4 pensamentos sobre “É de pedir aos Céus*

  1. Que bom ler-te Graça. Sinto-me sempre a aprender por aqui. O que mais me fascina é sentir que me revejo no futuro, porque embora concorde ainda não chegou o meu momento. Ainda não posso dizer adeus ao stress que me atormenta, ainda não posso tomar todas aquelas decisões de peso, mas para lá caminho. Ainda sou nova, já sei o que quero e o que preciso, e com calma hei-de lá chegar. Curioso é pensar que este blog também me escolheu, quando num dia de neura pesquisei no google «aqui pelo campo» tal e qual, como se já conhecesse este espaço de cor e salteado😉.

  2. Já aqui tenho lido textos lindos e muitos inspiradores, mas este para mim superou tudo o que até agora aqui li.Obrigada Graça, ler um texto destes logo pela minha manhã dá-me vontade de viver o meu dia com muita luz!!!

  3. Graça, não acredito! Onde foste buscar esta prosa que tão bem se ajusta às tuas decisões para uma mudança de vida! Para a nova vida que tanto desejas e tanto mereces…Eu estava convencida que tinha algum jeito para prosear poeticamente mas, perante o que acabo de ler acho que me vou ao rio,como lontra que dizes e por lá me deixarei ficar colada às pedras do fundo de olhos fechados e para sempre. Não publiques

  4. Muito obrigado a todas com uma venia!!:-)*

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