aqui pelo campo

Jardim secreto*

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Estou-vos a escrever da Rua do Matinho. Está um frio de rachar, o fumo sai-me da boca congelado e as minhas mãos pedem bolsos! Mas, só aqui, perante tudo isto, podia escrever o que me fez sair de casa com tamanho frio para homenagear a minha vida num dia como este. Ao longo do meu caminho ouço o rio lá em baixo que corre, cheio, vigoroso, e acompanha-me parte da minha viagem como se de musica se tratasse.
As galinhas cacarejam e os cães falam entre si. Ameaça chuva, e eu venho de casaco de penas, máquina fotográfica no braço, bloco, e caneca na outra mão, e um mini guarda chuva para o caso de… É o campo que recorda a minha infância de Ponte de Lima, é o campo com o seu cheiro, cheiro a lenha, cheiro a chuva, cheiro a frio, e a amor, á entrega e a tranquilidade., cheiro a casas velhas e típicas, fornos de lenha cedo acesos e eu subo estrada a cima.
O barulho do rio vai-se ouvindo cada vez mais ao longe e eu abrando a escrita, estou a subir!!
Ouço um riacho agora, ao longe, do lado esquerdo por entre o pinhal, esta zona, por onde passo faz-me lembrar a Serra da Estrela, os campos dividem-se em vinhas organizadas que crescem e se espalham sem metodo, campos de milho por colher que formam canaviais.
Sou surpreendida por cavalos e cavaleiros protegidos até as orelhas e o alegre chocalhar na estrada dos cascos…risos e poses, curiosidade fica bem na foto!
O sino da igreja toca a repique e chama, está na hora, vai começar!
Tiros ao longe, o Domingo é manhã de caça faça chuva ou sol. As cozinheiras estão á espera, e os filhos fazem pum…pum como os pais. Acompanham-nos de longe, orgulhosos!
 Os musgos cobrem os muros de pedra arredondada e os passarinhos podem voar ao sol e por isso, cantam!
As árvores tombam de fruta e os campos dão com fartura . As galinhas alimentam-se a diospiros e assim, o arroz promete.
Encontro o vizinho do costume, já bem idoso mas lesto, que já se habituou á minha presença no seu caminho, perdida de amores , sabe lá ele porque!!
As casa bonitas ostentam o orgulho das famílias idas, e as fachadas contam historias de quem as quer recordar, com gosto e viço!
As oferendas pelas alminhas estrada fora, adornadas de velas e flores amarelas pedem saúde e alegria, um marido ou outro melhor!
Vidas vivem-se há anos por trás de lindos portões já tortos e gastos pelo tempo e lá atrás ouvem os dizeres da família que se encontra em casa. é Domingo!
Está sol, secam-se as roupas e ouço rachar lenhas porque o frio pede tudo com tempo.
Cheira a Natal, a descanso Dominical de passeios com aqueles que voltam para recordar e descansar e voltar com a memória de nunca mais esquecer esta terra!
O sol abriu , a minha cara aqueceu e o sino tocou, ela sorriu, a camponesa!
Através de um muro de uma casa asseada ouve-se a missa no rádio e o catraio chega de bicicleta, foi buscar um  ramo..”olha avó, é azevinho, para ti!” Esta avó, a senhora desta casa, é toda curvada pela vida, mas toda agradecida também, e, todos os dias se despede dos netos com um sorriso na cara e do coração!
Os perus cantam lá ao longe, não antevendo o Natal e o adulto destinado a ficar para sempre menino , curioso, cá fora, cumprimenta-me num tom excessivo, de simpatia!
Ligo para casa e esta tudo calmo, e assim continuo.
As camélias vão rebentar não tarda nada e encher jarras lá por casa .
Apetece-me um almoço de família, vou a sonhar. Vou tentar descrever outra vez os cheiros que neste troço me invadem, me acompanham, cheiro a felicidade, a tudo que nos deixa felizes.
Vou comprar pães de açúcar á igreja de Forjães. Acho que vim a sorrir o tempo todo, sinto-me bem!
Chegada estou a S.Paio e deixo para trás todas estas emoções. É meio dia, a missa apressa-se, o sino despede-se e o almoço está na mesa. A água corre novamente, agora estrada a baixo, carrões saem ao Domingo a brilhar e ouço assobiar.
Chego ao escadório, orgulho da terra e dos ciclistas, alguém assobia, vem lá, atrás de mim , continua.
Santa Marinha vela por nós.
Sento-me perto da fonte a saborear um pão fresquinho de açúcar, a primeira venda do dia de sorriso escancarado e a promessa de um dia de sol, assim parece.  Descando! água , passarinhos, azáfama, disputam entre si, passam caçadores vestidos a preceito e ostentam o seu orgulho. Os cães.
Perdi o Tiro, outra vez!!
Inauguro o café do Almeida e compro Coca Cola para o caminho.
Guarda chuvas secam espetados nos jardins numa imagem curiosa, secam ao sol e eu…
estou a voltar.
É aqui que quero ficar.

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5 pensamentos sobre “Jardim secreto*

  1. Perfeita combinação do texto, rico em minuciosos detalhes do dia-a-dia, com o encanto de fotografias a propósito. Um encanto de texto, Graça!Desejo-lhe uma boa semana, sempre atenta ao que a rodeia e a sensibiliza.

  2. Lindíssimo texto, estás cada vez melhor Graça,o pormenor com descreves o que vês e sentes não nos dá hipótese de deixar de aqui vir.Quando é que pensas de além da tua arte, escreveres um livro? Tens temas, emoções e sensibilidade para fazer dele um sucesso , penso eu é claro…Por aqui também se tem comido muitos diospiros, são uma delícia.Beij.Teresa

  3. A minha alma embrulhou-se tudinha no quentinho do seu texto…Estou na Holanda a passar 6 meses, e as suas palavras e imagens em tudo têm haver com os sentimentos que nascem em mim pelo facto de viver numa aldeia perdida em Esposende…A saudade já é muita (e ainda só passou 1mês) e muito muito apertadinha sempre que me lembro dos cheiros, do céu, da gente, da horta, dos pinheiros,da simplicidade deliciosa que é tão caractiristica do Minho…Obrigada por este momento…foi bom "estar" em casa de novo🙂

  4. Olá Dona Mria Tome!*Muito obrigado🙂 Tudo está mais calmo e eu desfruto!!Obrigado Teresa ..acho que talvez possa vir a ser algo possivel no futuro, não já! Mas sempre num misto de trabalho prazer escrever.Um beijinho para ti e obrigado por vires aqui*Mariana…Holanda!Bolas disfruta, bebe tudo isso que o Minho está cá a tua espera igual a ele próprio. Aproveita muito, descobre…investiga*Um beijinhoGraça

  5. hola…que ricos se ven, como se hacen esos pancitos?

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