aqui pelo campo

Esperar sem me cansar*

2 Comentários

DSCF7986
Lembram-se de eu ter mencionado neste post acerca da descoberta dos meus antigos álbuns de fotografias? O mais curioso, é que, no dia anterior tinha-me vindo á cabeça que nunca mais , no meio dos meus intermináveis caixotes me tinha aparecido uma coisa que guardo com especial carinho, e como que por magia, no dia seguinte ao abrir os meus álbuns lá estava ela!! ( tenho uma amiga que ao ler esta passagem se vai rir!).Há muito anos atrás, devia eu ter aí uns 20 anos , credo!! Não vai há tantos assim!!! o meu pai ofereceu-me uma caixa repleta de fotografias antigas, originárias de Ponte de Lima, de todos os seus familiares que maiorzinhos ou mais novinhos posavam para as fotos em fatos aprumados de baptizado ou comunhão, tão típicos da época e tão cheios de magia. Adoro fotografias antigas, mesmo que não me digam respeito porque me fazem sempre “viajar”, é que, é algo imediato e a sensação é nostálgicamente saborosa. Entre as fotografias vinham também duas cartas manuscritas com uma letra que durante todos estes anos nunca consegui decifrar, e um desenho feito pela minha avó paterna que desenhava chapéus e os confeccionava, lá, em Ponte de Lima, como meio de subsistencia para uma família numerosa que cedo se começou a desvanecer, face ás doenças terríveis da época e que muita tristeza causaram por esse mundo fora. Guardo também os recortes de jornal da altura, que relatam o falecimento do meu tio mais velho na altura com apenas dezassete anos padecendo dos mesmos males. Adoraria ter conhecido a minha avó que muito admiro face a todas estas adversidades que a vida nos coloca e que tal como diz Rudyard Kipling fazem ecoar na nossa cabeça o som da palvavra “Aguenta-te”.
Voltando ás fotos e ás cartas, ontem aconteceu-me algo inédito (acho que, de há uns tempos para cá, todos os dias são dias de “algo inédito”!!)! Ao pegar na carta da minha avó consegui lê-la de uma ponta á outra sem qualquer dificuldade e deparei-me com algo maravilhoso. Primeiro o facto de, não sei porque, de repente, e, depois de tantas tentativas o teu conseguido fazer.No mínimo intrigante. Segundo, o conteúdo da carta que é nada mais nada menos do que a maravilhosa comunicação da minha avó aos seus irmãos em que o sonho da vida dela se tinha cumprido, e que tinha sido pedida em casamento a 08/07/1917 pelo meu avô. Num carinho de escrita único, ela conta de uma forma antiga e delicada o quanto feliz está por tal ter finalmente acontecido. Fiquei sozinha, no meio da minha sala lá de cima, sem palavras , a bem dizer, muda!
Adoro historias de amor, e dizer isto pode fazer crer que sou simplista, mas a verdade é que, sou EU, assim* e sabendo de antemão que ambos tiveram uma vida plena de dificuldades e que cedo terminou, faz-me pensar na razão pela qual as pessoas se unem como que por magia ou melhor, destino, e suportam juntas o peso das suas vidas.

DSCF7987

Considerada a mulher mais bonita da Assembleia de Ponte de Lima, como tantas vezes ecoou lá por casa, o dito orgulhoso de meu pai. Aqui ficam algumas fotos.
DSCF8001
Um pedido de casamento.
DSCF8002
Em tempos que já lá vão!
DSCF7998
Por Ponte de Lima antiga, aqui podemos ver assinalado por uma cruz a porta do consultório do meu bisavô, aquele senhor no canto superior esquerdo da colagem anterior!
DSCF7997
A casa onde o meu pai nasceu também assinalada.
DSCF7996
Ponte de Lima e asa suas conhecidas cheias. Esta foto reporta a 1972.
DSCF7995
A imagem eterna Pontolimense. As lavadeiras junto da capela do Anjo da Guarda.
DSCF7994
Uma família aprumada.
DSCF7992
A minha avó, e o seu bonito nome, Henriqueta.
DSCF7989
Eu, numa homenagem a Winston Churchil que disse um dia “Minha senhora, todos os bébés, se parecem comigo”!!
DSCF7988
E para finalizar, uma fotografia que adoro! A minha avó materna, senhora da sociedade Portuense, sempre vestida a rigor com fabulosos chapéus e que aqui enverga o seu vestido de casamento tal e qual o que eu levei ao meu! Vim a descobrir mais tarde.

2 pensamentos sobre “Esperar sem me cansar*

  1. Que lindo testemunho como já é hábito, muito obrigada pela partilha.Cada vez gosto mais de aqui vir . Ah! e para que conste eu adoro Ponte de Lima. Até amanhã Graça Beijinhos.

  2. Gostei muito da maneira como descreveste a tua avó materna. Foi mesmo assim no seu tempo aureo. Nunca saía de casa sem chapéu e sem luvas. Os anos foram passando e, como sempre acontece, os hábitos também se vão modificando. Só agora compreendo muitas das suas queixas, agora que também o tempo vai passando por cima da minha cabeça. Quem me dera poder voltar atrás e tê-la de novo. Seria mais compreensiva, mais carinhosa porque quanto mais se envelhece de mais carinho e amor se precisa!Quando ao vestido de casamento, pergunto-me: "Como vieste a saber que era igual ao teu"?Lá em cima, o menino de chapéu com aba atirada para trás, era o teu Pai. Muito mais havia para dizer mas…fiquemos por aqui, já que as lágrimas me tapam a visão.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s